Conteúdos do Bimestre
- - Comparar e diferenciar: Clima e Tempo
- - Reconhecer os principais tipos de clima existentes no Brasil e no mundo.
- - Relacionar clima com a vegetação, identificando os principais biomas existentes no Brasil e no mundo.
- - Observar as mudanças climáticas resultantes da interação homem-natureza e analisar suas possíveis causas e consequências.
O Brasil no cenário das mudanças climáticas - Aí ao lado tem uma reportagem interessante sobre o tema!
A atmosfera terrestre é essa instável camada gasosa que nos cerca, retida pela
força da gravidade e fundamental à manutenção da vida no nosso planeta. Isso é
possível em função da absorção da radiação ultravioleta solar e de adequado
aquecimento de boa parte da superfície por gases estufa em concentrações ideais.
A atmosfera é extremamente dinâmica e possui um comportamento bastante
diverso em cada porção da superfície terrestre. Alguns lugares são mais frios que
outros, em alguns lugares há mais chuvas que outros... Mas, por que isso?
Para identificarmos essas diferenças, fazemos registros horários e diários da
atmosfera. Pela TV ou pela internet, consultamos com frequência informações sobre a
previsão do tempo. Meteorologistas repassam aos jornais informações a respeito da
temperatura mínima, média e máxima que deve ocorrer ao longo do dia. Também
recebemos informações sobre a ocorrência de ventos, sobre a presença de
nebulosidade, ou seja, a presença de nuvens, e também sobre a probabilidade de
chover em um determinado lugar. Todas essas informações representam a condição
atmosférica desse momento, do dia, ou, no máximo, de alguns dias. Veja a imagem
abaixo.
Fonte: http://www.inmet.gov.br/portal/
Aula 1: Diferenciando Tempo e Clima
Agora, se você guardar todos esses registros de tempo atmosférico ao longo de,
pelo menos, trinta anos, alguns comportamentos cíclicos - que tendem a se repetir -
podem ser identificados. Então, quando analisamos esses ciclos ou padrões
atmosféricos no espaço geográfico, lidamos com o clima. A climatologia é a área do
conhecimento que estuda a diversidade espacial dos padrões climáticos e suas
constantes alterações, auxiliando, portanto, o planejamento ambiental, econômico,
urbano e rural.
Reconhecida a variedade de estados da atmosfera, precisamos agora classificar
as formações climáticas espacialmente distribuídas. Isso é possível associando os
elementos ou atributos que permitem a leitura do clima de um lugar em relação aos
fatores geográficos que influenciam os elementos. Veja abaixo o exemplo dos
domínios climáticos existentes no território brasileiro.
Fonte: http://n.i.uol.com.br/licaodecasa/ensmedio/geografia/climas/mapa.gif
1. Diferencie Tempo e Clima a partir das seguintes expressões: “o tempo define a
roupa que devo vestir hoje”; “o clima define qual roupa devo comprar”.
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2. Destaque a importância do estudo do clima e o seu papel para o planejamento
socioeconômico.
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3. Existem diferenças entre clima e tempo. O clima é o conjunto médio de condições
meteorológicas regionais resultantes de uma análise de, pelo menos, 30 anos. Tempo
é um registro de variáveis atmosféricas (temperatura, umidade, pressão,
nebulosidade, ventos) durante o dia.
Leia as assertivas abaixo e assinale “T” para TEMPO e “C” para CLIMA.
A frente fria se afasta, mas parte de sua instabilidade ainda permanece sobre a
Costa Verde e Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Nuvens carregadas provocam chuva desde cedo nestas regiões.
As demais regiões fluminenses terão um dia de sol entre muitas nuvens com pancadas de chuva, principalmente à tarde.
Costumamos estudar o clima a partir da medição de atributos básicos que
ajudam a classificar uma determinada região. Esses atributos são chamados elementos
do clima. São eles: umidade, pressão atmosférica e temperatura.
A umidade é a quantidade de vapor de água presente na atmosfera. Pode ser
absoluta ou relativa. Então, a umidade absoluta do ar é a quantidade (em gramas) de
vapor d'água, enquanto que a umidade relativa do ar é obtida através da relação
entre a umidade absoluta (a quantidade de vapor de água do ar) e o ponto de
saturação (a quantidade máxima de vapor de água que o ar consegue reter), em
determinado local e momento.
A pressão atmosférica pode ser entendida como a força exercida pela
atmosfera sobre a superfície terrestre. Sendo fluido, o ar tende a acumular-se em
níveis de terreno mais baixos e, por conta do peso das camadas superiores, comprime
se e torna-se mais denso e pesado. Então, em altitudes elevadas, o ar é mais rarefeito,
resultando em menor pressão atmosférica se comparado à superfície. Esse elemento
também varia em função da temperatura; quando o ar é aquecido, torna-se mais
volátil – ocasionando menor pressão – enquanto que quanto mais frio o ar, maior será
densidade de moléculas – ocasionando maior pressão.
A temperatura é uma grandeza física que mensura a troca de energia cinética,
sendo no caso dos estudos do clima, utilizada para monitorar a absorção ou perda de
calor. É mais popularmente identificada ao referir-se à sensação de frio ou calor.
Elementos do clima X Fatores Climáticos...
Os elementos do clima já apresentados são influenciados pelos fatores
geográficos ou climáticos. Esses últimos devem ser analisados em conjunto. Podemos
então pensar sobre tipos climáticos que são resultado da combinação diferenciada
dos seguintes fatores: latitude, altitude, massas de ar,
Aula 2: Associando Elementos do Clima aos Fatores Climáticos
Continentalidade/maritimidade, correntes marítimas, relevo e vegetação. O que
significa cada um deles?
De forma bastante resumida, destacamos alguns a seguir.
Latitude – refere-se ao ângulo formado entre um ponto na superfície terrestre em
relação ao centro da Terra e a Linha do Equador. Os valores de latitude variam de 0° a
90° Sul e de 0° a 90° Norte. Os raios solares incidem sempre paralelos em direção ao
planeta Terra. Sendo o planeta esférico, os raios solares incidem na superfície terrestre
formando ângulos diferentes em cada posição latitudinal. Por isso, o planeta não é
aquecido uniformemente. Entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, 23.4378° Norte e
Sul de latitude, os raios solares incidem formando maior perpendicularidade em
relação à superfície, gerando grande aquecimento. Nas médias e altas latitudes, os
raios solares incidem mais oblíquos, causando maior espalhamento e menor absorção
de energia. Então, em linhas gerais, quanto maior a latitude, menor a temperatura.
Altitude – é a altura em relação ao nível do mar. Nesse caso, quanto maior a altitude,
menor a temperatura. Em altitude, a concentração de gases e de umidade à medida
que nos distanciamos do nível do mar diminui, o que vai reduzir a retenção de calor
nas camadas mais elevadas.
Massas de ar - são imensos “bolsões” de ar, que se deslocam, por diferença de
pressão, pela superfície terrestre, carregando consigo as características de
temperatura e umidade da região em que se originaram. Estão assim classificadas: as
massas de ar oceânicas são úmidas e as continentais, com raras exceções, são secas;
as tropicais e equatoriais são quentes, enquanto a massa polar é fria.
Continentalidade e Maritimidade - O aquecimento diferenciado que se verifica entre
as águas oceânicas e as superfícies dos continentes, mais lento nas primeiras devido a
maior capacidade de reter calor, favorece a redução das amplitudes térmicas –
diferença entre a menor e a maior temperatura registrada –. Então, quanto mais nos
afastamos do litoral, mais extremas são as mudanças de temperatura, além de
gradativamente haver menores índices de umidade.
Correntes Marítimas – São como “rios” internos que circulam pelo oceano e possuem
suas próprias condições de temperatura e pressão. Ao contribuírem para a troca de
energia entre pontos distantes da Terra, as correntes oceânicas interagem com a
dinâmica das massas de ar, definindo áreas secas e áreas chuvosas. Correntes quentes
costumam trazer chuvas para os litorais que banham, enquanto que correntes frias
dificultam a formação de chuvas ao longo das costas que percorrem, gerando
características climáticas áridas e semiáridas em algumas regiões do globo.
Relevo – a forma do terreno pode facilitar ou dificultar a circulação das massas de ar,
influenciando na temperatura e na distribuição de umidade. Além disso, a orientação
do relevo em relação ao Sol irá definir as vertentes mais aquecidas e mais secas, e
aquelas mais frias as mais úmidas. No Brasil, por exemplo, a Serra do Mar forma um
caminho preferencial que facilita a circulação da massa polar atlântica e dificulta a
entrada da massa tropical atlântica mais para o interior.
Vegetação – Desempenha um papel regulador de umidade e de temperatura
extremamente importante. Por isso, quando ocorre a remoção de áreas florestadas, há
diminuição de chuvas, já que a umidade diminui, além de também ocorrer o aumento
da temperatura nos locais impactados.
Em resumo: para cada localidade da superfície terrestre, combine os fatores acima
discutidos, analise o comportamento dos elementos e classifique o clima, ok? Vamos
fazer isso na próxima aula.
1. Clima é a sucessão habitual dos estados do tempo meteorológico. A grande variação climática no planeta é resultante da interação dos fatores climáticos, que são os responsáveis pela grande heterogeneidade climática da Terra e estão diretamente
relacionados com a geografia de cada porção da superfície terrestre. Em qual das
alternativas a seguir há APENAS elementos climáticos, isto é, aqueles que permitem a
mensuração de atributos básicos que ajudam a classificar o clima de uma determinada
região?
(A) Correntes marítimas, temperatura do ar e grau geotérmico.
(B) Temperatura do ar, pressão atmosférica e hidrografia.
(C) Temperatura, pressão atmosférica e umidade.
(D) Altitude, massas de ar e maritimidade.
2. A altitude é um fator que influencia condições ambientais e, por isso, é levada em
consideração na prática esportiva. Não raras vezes, vemos nos noticiários alguns
depoimentos de atletas de futebol os quais afirmam perder rendimento em partidas
ocorridas acima de 2000 metros. Essa perda de rendimento está relacionada à:
(A) aumento da longitude.
(B) diminuição da latitude.
(C) aumento da densidade do ar.
(D) diminuição da pressão atmosférica.
Atividade 2
Sobre os estudos do clima, seus fatores e processos, assinale
a alternativa INCORRETA.
I. A latitude influencia na distribuição espacial da temperatura. Dessa forma, quanto
maior for latitude, menores serão as temperaturas.
II. A pressão atmosférica varia em função da altitude e da temperatura. Assim, quanto
maior for a altitude, menor será a pressão atmosférica e quanto mais alta a
temperatura, menor será a pressão.
III. O planeta Terra é aquecido uniformemente, tanto ao longo da sua superfície
quanto ao longo do tempo; isso condiciona a circulação atmosférica a partir da
produção de centros de alta e de baixa pressão, que se alteram continuadamente.
IV. Dependendo das condições locais, a precipitação pode ocorrer na forma de chuva,
granizo ou neve e está relacionada, principalmente, ao elemento climático umidade
atmosférica.
V. A diferença entre as temperaturas máxima e mínima é maior no interior dos
continentes e a continentalidade exerce grande influência sobre essa amplitude
térmica.
(A) Estão incorretas as afirmativas I, III e V.
(B) Estão incorretas as afirmativas II, IV.
(C) Estão incorretas as alternativas I, IV e V.
(D) Apenas a afirmativa III está incorreta.
Vamos agora classificar o clima?
Os tipos climáticos podem ser agrupados em:
quentes (equatorial, tropical – úmido, semiúmido e semiárido – e desértico),
temperados (mediterrâneo, subtropical, oceânico e continental)e frios (desértico,
subpolar, polar e de altitude). Listamos abaixo as características dos principais
domínios climáticos existentes na superfície terrestre.
POLAR – ocorre em latitudes extremas, próximo aos círculos polares Ártico e Antártico;
grande variação da duração do dia e da noite; baixas temperaturas o ano todo,
máxima de 10°C no verão.
TEMPERADO – ocorre em regiões cuja temperatura varia regularmente ao longo do
ano, com a média acima de 10 °C, nos meses mais quentes, e entre -3°C e 18 °C, nos
meses frios; possui quatro estações bem definidas - um verão relativamente quente,
um outono com temperaturas gradativamente mais baixas com o passar dos dias, um
inverno frio, e uma primavera, com temperaturas gradativamente mais altas com o
passar dos dias -; a influência diferenciada dos fatores climáticos continentalidade,
maritimidade e correntes marítimas resulta em maiores (adjetivação continental) ou
menores (adjetivação oceânica) amplitudes térmicas anuais.
MEDITERRÂNEO – é uma variação climática temperada com estação seca no verão;
nas regiões em que ocorre, o verão é quente e seco, e o inverno é instável e úmido.
TROPICAL – designação dada àquelas regiões que apresentam a temperatura média
em todos os meses do ano superior a 18 °C; não possuem uma estação
predominantemente fria; apresentam precipitação anual superior à evapotranspiração
potencial anual (perda de água ao longo do ano); verão chuvoso e inverno seco;
apresenta também variações em função da altitude, da maritimidade e da
continentalidade.
EQUATORIAL – clima das zonas geográficas caracterizadas pela elevada temperatura
média do ar; entre 24°C e 27°C, com média mensal sempre superior a 18°C e pela alta
pluviosidade (superior 2 000 mm de precipitação total anual e precipitação média
mensal superior a 60 mm em todos os meses do ano); apresenta também pequena
amplitude térmica anual.
SUBTROPICAL – característico (mas não exclusivo) das médias latitudes, onde começa
a delinear as quatro estações; as temperaturas médias anuais nunca são superiores a
20 °C e a média das temperaturas mínimas do ano nunca é menor que 0 °C; as chuvas
são bem distribuídas ao longo do ano; os verões são quentes e invernos frios, com
significativa amplitude térmica anual.
SEMIÁRIDO – é um clima de transição; chuvas escassas e irregulares; domínio
climático encontrado tanto nas regiões tropicais quanto nas zonas temperadas (onde
apresentam invernos frios); caracteriza-se pela baixa umidade e pouco volume
pluviométrico; apresenta precipitação média anual entre 200 mm e 400 mm.
DESÉRTICO – caracteriza-se por pequena quantidade de chuvas e grande amplitude
térmica diária e anual; ocorre tanto em áreas tropicais como em áreas temperadas;
extrema falta de umidade; chuvas inferiores a 250mm anuais.
Boa parte do território brasileiro se encontra na zona intertropical. Os principais
domínios climáticos são os seguintes: equatorial, tropical (úmido, semiúmido,
semiárido e de altitude) e subtropical.
Os domínios climáticos “casam” com as formações vegetais!
E qual seria a relação do clima com as principais formações vegetais existentes
no planeta Terra? Pois saiba que o clima condiciona os aspectos principais e as
fronteiras dos biomas terrestres. Mas, o que é um bioma?
Bioma é um conjunto de diferentes ecossistemas que são bem parecidos
internamente. Congregam as comunidades biológicas, ou seja, as populações de
organismos da fauna e da flora interagindo entre si e interagindo também com o
ambiente físico ao longo de milhares de anos.
Não esqueça: a diversidade biológica está, portanto, fortemente relacionada às
formas do relevo, o tipo de rocha e o clima!
Então, as principais formações vegetais mundiais são as seguintes: tundra,
floresta de coníferas, floresta temperada, vegetação mediterrânea, pradarias, estepes
(formações de regiões semiáridas), desertos, savanas/floresta estacional, floresta
pluvial tropical/subtropical.
Veja o quadro a seguir o qual associa os principais biomas e formações vegetais
mundiais aos domínios climáticos estudados até o momento.
Bioma ou Formação Vegetal Domínio Climático Correspondente
Tundra Polar
Floresta de Coníferas Temperado Continental; de Altitude
Floresta Temperada Temperado Oceânico; de Altitude
Vegetação mediterrânea Mediterrâneo
Pradarias Temperado Continental; Subtropical; de
Altitude
Estepes Semiárido
Desertos Árido ou Desértico
Savanas Tropical Continental ou Semiúmido
Floresta Estacional Tropical
Floresta Pluvial Tropical Equatorial; Tropical
Floresta Pluvial Subtropical Subtropical; de Altitude
No Brasil, os principais biomas e formações vegetais são os seguintes:
Amazônia, Mata dos Cocais, Mata Atlântica, Mata dos Pinhais (Araucárias), Cerrado,
Pantanal, Caatinga e Campos Naturais (Pampa).
No quadro seguinte, veja a associação entre os principais biomas e formações
vegetais brasileiros e os domínios climáticos correspondentes.
18
Bioma ou Formação Vegetal Domínio Climático Correspondente
Amazônia Equatorial
Mata Atlântica Tropical litorâneo ou úmido
Cerrado Tropical Continental ou semiúmido
Pantanal Tropical Continental ou semiúmido
Caatinga Tropical semiárido
Pampa Subtropical
1. A atmosfera terrestre é formada por diversos gases importantes para a vida. De
forma geral, estudamos a atmosfera através dos conceitos de tempo e clima. Sobre o
clima é correto afirmar que:
(A) é o estado momentâneo da atmosfera que influencia todo o Globo.
(B) o fator climático maritimidade contribui para o aumento da umidade e a redução da
amplitude térmica anual.
(C) quando nos afastamos da costa, as massas de ar se tornam mais atuantes.
(D) quanto menor a latitude, menor é a longitude em função da baixa umidade.
A atmosfera terrestre é essa instável camada gasosa que nos cerca, retida pela
força da gravidade e fundamental à manutenção da vida no nosso planeta. Isso é
possível em função da absorção da radiação ultravioleta solar e de adequado
aquecimento de boa parte da superfície por gases estufa em concentrações ideais.
A atmosfera é extremamente dinâmica e possui um comportamento bastante
diverso em cada porção da superfície terrestre. Alguns lugares são mais frios que
outros, em alguns lugares há mais chuvas que outros... Mas, por que isso?
Para identificarmos essas diferenças, fazemos registros horários e diários da
atmosfera. Pela TV ou pela internet, consultamos com frequência informações sobre a
previsão do tempo. Meteorologistas repassam aos jornais informações a respeito da
temperatura mínima, média e máxima que deve ocorrer ao longo do dia. Também
recebemos informações sobre a ocorrência de ventos, sobre a presença de
nebulosidade, ou seja, a presença de nuvens, e também sobre a probabilidade de
chover em um determinado lugar. Todas essas informações representam a condição
atmosférica desse momento, do dia, ou, no máximo, de alguns dias. Veja a imagem
abaixo.
Fonte: http://www.inmet.gov.br/portal/
Aula 1: Diferenciando Tempo e Clima
Agora, se você guardar todos esses registros de tempo atmosférico ao longo de,
pelo menos, trinta anos, alguns comportamentos cíclicos - que tendem a se repetir -
podem ser identificados. Então, quando analisamos esses ciclos ou padrões
atmosféricos no espaço geográfico, lidamos com o clima. A climatologia é a área do
conhecimento que estuda a diversidade espacial dos padrões climáticos e suas
constantes alterações, auxiliando, portanto, o planejamento ambiental, econômico,
urbano e rural.
Reconhecida a variedade de estados da atmosfera, precisamos agora classificar
as formações climáticas espacialmente distribuídas. Isso é possível associando os
elementos ou atributos que permitem a leitura do clima de um lugar em relação aos
fatores geográficos que influenciam os elementos. Veja abaixo o exemplo dos
domínios climáticos existentes no território brasileiro.
Fonte: http://n.i.uol.com.br/licaodecasa/ensmedio/geografia/climas/mapa.gif
1. Diferencie Tempo e Clima a partir das seguintes expressões: “o tempo define a
roupa que devo vestir hoje”; “o clima define qual roupa devo comprar”.
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2. Destaque a importância do estudo do clima e o seu papel para o planejamento
socioeconômico.
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3. Existem diferenças entre clima e tempo. O clima é o conjunto médio de condições meteorológicas regionais resultantes de uma análise de, pelo menos, 30 anos. Tempo
é um registro de variáveis atmosféricas (temperatura, umidade, pressão,
nebulosidade, ventos) durante o dia.
Leia as assertivas abaixo e assinale “T” para TEMPO e “C” para CLIMA.
A frente fria se afasta, mas parte de sua instabilidade ainda permanece sobre a
Costa Verde e Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Nuvens carregadas provocam chuva desde cedo nestas regiões.
As demais regiões fluminenses terão um dia de sol entre muitas nuvens com pancadas de chuva, principalmente à tarde.
Costumamos estudar o clima a partir da medição de atributos básicos que
ajudam a classificar uma determinada região. Esses atributos são chamados elementos
do clima. São eles: umidade, pressão atmosférica e temperatura.
A umidade é a quantidade de vapor de água presente na atmosfera. Pode ser
absoluta ou relativa. Então, a umidade absoluta do ar é a quantidade (em gramas) de
vapor d'água, enquanto que a umidade relativa do ar é obtida através da relação
entre a umidade absoluta (a quantidade de vapor de água do ar) e o ponto de
saturação (a quantidade máxima de vapor de água que o ar consegue reter), em
determinado local e momento.
A pressão atmosférica pode ser entendida como a força exercida pela
atmosfera sobre a superfície terrestre. Sendo fluido, o ar tende a acumular-se em
níveis de terreno mais baixos e, por conta do peso das camadas superiores, comprime
se e torna-se mais denso e pesado. Então, em altitudes elevadas, o ar é mais rarefeito,
resultando em menor pressão atmosférica se comparado à superfície. Esse elemento
também varia em função da temperatura; quando o ar é aquecido, torna-se mais
volátil – ocasionando menor pressão – enquanto que quanto mais frio o ar, maior será
densidade de moléculas – ocasionando maior pressão.
A temperatura é uma grandeza física que mensura a troca de energia cinética,
sendo no caso dos estudos do clima, utilizada para monitorar a absorção ou perda de
calor. É mais popularmente identificada ao referir-se à sensação de frio ou calor.
Elementos do clima X Fatores Climáticos...
Os elementos do clima já apresentados são influenciados pelos fatores
geográficos ou climáticos. Esses últimos devem ser analisados em conjunto. Podemos
então pensar sobre tipos climáticos que são resultado da combinação diferenciada
dos seguintes fatores: latitude, altitude, massas de ar,
Aula 2: Associando Elementos do Clima aos Fatores Climáticos
Continentalidade/maritimidade, correntes marítimas, relevo e vegetação. O que significa cada um deles?
De forma bastante resumida, destacamos alguns a seguir.
Latitude – refere-se ao ângulo formado entre um ponto na superfície terrestre em
relação ao centro da Terra e a Linha do Equador. Os valores de latitude variam de 0° a
90° Sul e de 0° a 90° Norte. Os raios solares incidem sempre paralelos em direção ao
planeta Terra. Sendo o planeta esférico, os raios solares incidem na superfície terrestre
formando ângulos diferentes em cada posição latitudinal. Por isso, o planeta não é
aquecido uniformemente. Entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, 23.4378° Norte e
Sul de latitude, os raios solares incidem formando maior perpendicularidade em
relação à superfície, gerando grande aquecimento. Nas médias e altas latitudes, os
raios solares incidem mais oblíquos, causando maior espalhamento e menor absorção
de energia. Então, em linhas gerais, quanto maior a latitude, menor a temperatura.
Altitude – é a altura em relação ao nível do mar. Nesse caso, quanto maior a altitude,
menor a temperatura. Em altitude, a concentração de gases e de umidade à medida
que nos distanciamos do nível do mar diminui, o que vai reduzir a retenção de calor
nas camadas mais elevadas.
Massas de ar - são imensos “bolsões” de ar, que se deslocam, por diferença de
pressão, pela superfície terrestre, carregando consigo as características de
temperatura e umidade da região em que se originaram. Estão assim classificadas: as
massas de ar oceânicas são úmidas e as continentais, com raras exceções, são secas;
as tropicais e equatoriais são quentes, enquanto a massa polar é fria.
Continentalidade e Maritimidade - O aquecimento diferenciado que se verifica entre
as águas oceânicas e as superfícies dos continentes, mais lento nas primeiras devido a
maior capacidade de reter calor, favorece a redução das amplitudes térmicas –
diferença entre a menor e a maior temperatura registrada –. Então, quanto mais nos
afastamos do litoral, mais extremas são as mudanças de temperatura, além de
gradativamente haver menores índices de umidade.
Correntes Marítimas – São como “rios” internos que circulam pelo oceano e possuem
suas próprias condições de temperatura e pressão. Ao contribuírem para a troca de
energia entre pontos distantes da Terra, as correntes oceânicas interagem com a
dinâmica das massas de ar, definindo áreas secas e áreas chuvosas. Correntes quentes
costumam trazer chuvas para os litorais que banham, enquanto que correntes frias
dificultam a formação de chuvas ao longo das costas que percorrem, gerando
características climáticas áridas e semiáridas em algumas regiões do globo.
Relevo – a forma do terreno pode facilitar ou dificultar a circulação das massas de ar,
influenciando na temperatura e na distribuição de umidade. Além disso, a orientação
do relevo em relação ao Sol irá definir as vertentes mais aquecidas e mais secas, e
aquelas mais frias as mais úmidas. No Brasil, por exemplo, a Serra do Mar forma um
caminho preferencial que facilita a circulação da massa polar atlântica e dificulta a
entrada da massa tropical atlântica mais para o interior.
Vegetação – Desempenha um papel regulador de umidade e de temperatura
extremamente importante. Por isso, quando ocorre a remoção de áreas florestadas, há
diminuição de chuvas, já que a umidade diminui, além de também ocorrer o aumento
da temperatura nos locais impactados.
Em resumo: para cada localidade da superfície terrestre, combine os fatores acima
discutidos, analise o comportamento dos elementos e classifique o clima, ok? Vamos
fazer isso na próxima aula.
1. Clima é a sucessão habitual dos estados do tempo meteorológico. A grande variação climática no planeta é resultante da interação dos fatores climáticos, que são os responsáveis pela grande heterogeneidade climática da Terra e estão diretamente
relacionados com a geografia de cada porção da superfície terrestre. Em qual das
alternativas a seguir há APENAS elementos climáticos, isto é, aqueles que permitem a
mensuração de atributos básicos que ajudam a classificar o clima de uma determinada
região?
(A) Correntes marítimas, temperatura do ar e grau geotérmico.
(B) Temperatura do ar, pressão atmosférica e hidrografia.
(C) Temperatura, pressão atmosférica e umidade.
(D) Altitude, massas de ar e maritimidade.
2. A altitude é um fator que influencia condições ambientais e, por isso, é levada em
consideração na prática esportiva. Não raras vezes, vemos nos noticiários alguns
depoimentos de atletas de futebol os quais afirmam perder rendimento em partidas
ocorridas acima de 2000 metros. Essa perda de rendimento está relacionada à:
(A) aumento da longitude.
(B) diminuição da latitude.
(C) aumento da densidade do ar.
(D) diminuição da pressão atmosférica.
Atividade 2
Sobre os estudos do clima, seus fatores e processos, assinale
a alternativa INCORRETA.
I. A latitude influencia na distribuição espacial da temperatura. Dessa forma, quanto
maior for latitude, menores serão as temperaturas.
II. A pressão atmosférica varia em função da altitude e da temperatura. Assim, quanto
maior for a altitude, menor será a pressão atmosférica e quanto mais alta a
temperatura, menor será a pressão.
III. O planeta Terra é aquecido uniformemente, tanto ao longo da sua superfície
quanto ao longo do tempo; isso condiciona a circulação atmosférica a partir da
produção de centros de alta e de baixa pressão, que se alteram continuadamente.
IV. Dependendo das condições locais, a precipitação pode ocorrer na forma de chuva,
granizo ou neve e está relacionada, principalmente, ao elemento climático umidade
atmosférica.
V. A diferença entre as temperaturas máxima e mínima é maior no interior dos
continentes e a continentalidade exerce grande influência sobre essa amplitude
térmica.
(A) Estão incorretas as afirmativas I, III e V.
(B) Estão incorretas as afirmativas II, IV.
(C) Estão incorretas as alternativas I, IV e V.
(D) Apenas a afirmativa III está incorreta.
Vamos agora classificar o clima?
Os tipos climáticos podem ser agrupados em:quentes (equatorial, tropical – úmido, semiúmido e semiárido – e desértico),
temperados (mediterrâneo, subtropical, oceânico e continental)e frios (desértico,
subpolar, polar e de altitude). Listamos abaixo as características dos principais
domínios climáticos existentes na superfície terrestre.
POLAR – ocorre em latitudes extremas, próximo aos círculos polares Ártico e Antártico;
grande variação da duração do dia e da noite; baixas temperaturas o ano todo,
máxima de 10°C no verão.
TEMPERADO – ocorre em regiões cuja temperatura varia regularmente ao longo do
ano, com a média acima de 10 °C, nos meses mais quentes, e entre -3°C e 18 °C, nos
meses frios; possui quatro estações bem definidas - um verão relativamente quente,
um outono com temperaturas gradativamente mais baixas com o passar dos dias, um
inverno frio, e uma primavera, com temperaturas gradativamente mais altas com o
passar dos dias -; a influência diferenciada dos fatores climáticos continentalidade,
maritimidade e correntes marítimas resulta em maiores (adjetivação continental) ou
menores (adjetivação oceânica) amplitudes térmicas anuais.
MEDITERRÂNEO – é uma variação climática temperada com estação seca no verão;
nas regiões em que ocorre, o verão é quente e seco, e o inverno é instável e úmido.
TROPICAL – designação dada àquelas regiões que apresentam a temperatura média
em todos os meses do ano superior a 18 °C; não possuem uma estação
predominantemente fria; apresentam precipitação anual superior à evapotranspiração
potencial anual (perda de água ao longo do ano); verão chuvoso e inverno seco;
apresenta também variações em função da altitude, da maritimidade e da
continentalidade.
EQUATORIAL – clima das zonas geográficas caracterizadas pela elevada temperatura
média do ar; entre 24°C e 27°C, com média mensal sempre superior a 18°C e pela alta
pluviosidade (superior 2 000 mm de precipitação total anual e precipitação média
mensal superior a 60 mm em todos os meses do ano); apresenta também pequena
amplitude térmica anual.
SUBTROPICAL – característico (mas não exclusivo) das médias latitudes, onde começa
a delinear as quatro estações; as temperaturas médias anuais nunca são superiores a
20 °C e a média das temperaturas mínimas do ano nunca é menor que 0 °C; as chuvas
são bem distribuídas ao longo do ano; os verões são quentes e invernos frios, com
significativa amplitude térmica anual.
SEMIÁRIDO – é um clima de transição; chuvas escassas e irregulares; domínio
climático encontrado tanto nas regiões tropicais quanto nas zonas temperadas (onde
apresentam invernos frios); caracteriza-se pela baixa umidade e pouco volume
pluviométrico; apresenta precipitação média anual entre 200 mm e 400 mm.
DESÉRTICO – caracteriza-se por pequena quantidade de chuvas e grande amplitude
térmica diária e anual; ocorre tanto em áreas tropicais como em áreas temperadas;
extrema falta de umidade; chuvas inferiores a 250mm anuais.
Boa parte do território brasileiro se encontra na zona intertropical. Os principais
domínios climáticos são os seguintes: equatorial, tropical (úmido, semiúmido,
semiárido e de altitude) e subtropical.
Os domínios climáticos “casam” com as formações vegetais!
E qual seria a relação do clima com as principais formações vegetais existentes
no planeta Terra? Pois saiba que o clima condiciona os aspectos principais e as
fronteiras dos biomas terrestres. Mas, o que é um bioma?
Bioma é um conjunto de diferentes ecossistemas que são bem parecidos
internamente. Congregam as comunidades biológicas, ou seja, as populações de
organismos da fauna e da flora interagindo entre si e interagindo também com o
ambiente físico ao longo de milhares de anos.
Não esqueça: a diversidade biológica está, portanto, fortemente relacionada às
formas do relevo, o tipo de rocha e o clima!
Então, as principais formações vegetais mundiais são as seguintes: tundra,
floresta de coníferas, floresta temperada, vegetação mediterrânea, pradarias, estepes
(formações de regiões semiáridas), desertos, savanas/floresta estacional, floresta
pluvial tropical/subtropical.
Veja o quadro a seguir o qual associa os principais biomas e formações vegetais
mundiais aos domínios climáticos estudados até o momento.
Bioma ou Formação Vegetal Domínio Climático Correspondente
Tundra Polar
Floresta de Coníferas Temperado Continental; de Altitude
Floresta Temperada Temperado Oceânico; de Altitude
Vegetação mediterrânea Mediterrâneo
Pradarias Temperado Continental; Subtropical; de
Altitude
Estepes Semiárido
Desertos Árido ou Desértico
Savanas Tropical Continental ou Semiúmido
Floresta Estacional Tropical
Floresta Pluvial Tropical Equatorial; Tropical
Floresta Pluvial Subtropical Subtropical; de Altitude
No Brasil, os principais biomas e formações vegetais são os seguintes:
Amazônia, Mata dos Cocais, Mata Atlântica, Mata dos Pinhais (Araucárias), Cerrado,
Pantanal, Caatinga e Campos Naturais (Pampa).
No quadro seguinte, veja a associação entre os principais biomas e formações
vegetais brasileiros e os domínios climáticos correspondentes.
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Bioma ou Formação Vegetal Domínio Climático Correspondente
Amazônia Equatorial
Mata Atlântica Tropical litorâneo ou úmido
Cerrado Tropical Continental ou semiúmido
Pantanal Tropical Continental ou semiúmido
Caatinga Tropical semiárido
Pampa Subtropical
1. A atmosfera terrestre é formada por diversos gases importantes para a vida. De
forma geral, estudamos a atmosfera através dos conceitos de tempo e clima. Sobre o
clima é correto afirmar que:
(A) é o estado momentâneo da atmosfera que influencia todo o Globo.
(B) o fator climático maritimidade contribui para o aumento da umidade e a redução da
amplitude térmica anual.
(C) quando nos afastamos da costa, as massas de ar se tornam mais atuantes.
(D) quanto menor a latitude, menor é a longitude em função da baixa umidade.
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